1. Como foi receber o diagnóstico?
Tudo isso começou numa sessão de terapia com a Dra. Maria de Lourdes, em Arujá.
Não lembro exatamente sobre o que estávamos discutindo, mas, durante a sessão, a doutora me perguntou se eu sabia o que era "Síndrome de Asperger"; na hora, eu perguntei se ela estava me chamando de autista, porque, talvez naquele mesmo dia, eu tinha lido uma das revistas de psicologia na sala de espera, e uma das matérias era exatamente sobre isso. Naquele momento, meu diagnóstico foi confirmado.
Posso dizer, com toda certeza, que receber o diagnóstico foi uma surpresa, mas, ao invés de reagir de forma negativa, confesso que dei uma risada, e abracei o diagnóstico de autista.
Desde aquele dia, fiz algumas pesquisas sobre o assunto - desta vez como autista, e não apenas como curioso. Admito que as pesquisas eram voltadas mais sobre a Síndrome de Asperger, da qual sou portador. Em uma das pesquisas, consegui destacar as principais características de quem é portador desse quadro, e a maioria delas batia com o que eu tinha com certeza desde o início da vida.
Receber o diagnóstico de autista foi uma das melhores coisas que me aconteceram.
Não vou dizer que foi uma resposta, porque, sinceramente, nunca acreditei que havia algo de errado comigo; apenas achava que era assim e ponto.
Enfim, há seis anos, convivo com isso. Foi uma maravilha? Foi. Ajudou a desvendar os mistérios da minha vida? Talvez. Adorei receber o diagnóstico? Com certeza. Mudou minha vida? Com certeza.
Não vou mentir. Apesar de ter recebido o diagnóstico, gostaria que minha vida fosse perfeita, mas, infelizmente, não é. Passo por inúmeras dificuldades, principalmente envolvendo relacionamentos, um dos principais desafios dos autistas, e até hoje, não consigo resolver esses problemas, o que me causa sofrimento.

